domingo, 6 de fevereiro de 2011

Eu e o Mundo

Quando nas sombras da noite
um vulto se levanta à minha frente
sinto a dor amarga d’um açoite
que ardendo consome as costas da gente.

Minha vida de artista
quiseram-na enterrada
numa elegante roupa, bem vestida
no corte certo do terno e da gravata.

Mas com a força d’um sorriso de criança
minh’alma aos céus elevou-se
nas asas seguras da esperança
como o sabor alegre de um doce.

O vento que roça as folhas das árvores
beija lânguido a minha face bela
acaricia o mar, brinca com a terra
o céu... é o vento que o risca selvagem.

O sol brilhando toda manhã
enche de calor e energia
os homens que nesta terra imensa
não entendem sua agonia.

E a lua num extremo oposto
chora luz constante
trazendo nas crateras espalhadas pelo rosto
a dor da ausência de seu desposante.

E qual, então,a minha surpresa
quando descubro, incrédulo,
que a sombra que me quer de presa
sai de dentro do meu próprio cérebro.

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