quarta-feira, 22 de novembro de 2017

CACHAÇA ESPIRITUAL





Um Espirito Perturbado por não poder entre os vivos terrenos estar,
Vagava procurando um ser receptivo,
Um mediúnico para do seu corpo se apossar,
 e através dele poder as maravilhas dos viventes desfrutar...
Num melancólico dia,
Veio há acontecer o que tanto ele queria...

Um Ser Jovem, de saúde invejável estava a sua frente,
Fraco de fé, abandonado por sua amada...
O espirito sedento aproveitou sua oportunidade eminente,
Na primeira tentativa não houve hesito,
E assim foi feito. 

Bebidas de teor inflamável,
sabor não importava,
o efeito dopante é o que procurava,
nos bares e botecos a cara encharcava...
Seu lema era: “wisque irlandês e conhaque francês são pra burguês, 
meu negocio é uma branquinha,
daquelas que se vira de uma vês, 
se tiver uma cachaça da boa, lá serei freguês.”

Recompensado, ao usufruir o corpo embriagado...
Abandonava a própria sorte, 
uma carcaça sugada...
Pernas no banco, cabeça no porte.

 Inconsciente o Jovem abraçava a jornada de quem ti mazelava...
Amigos, parentes e próximos, não mais importava...
Sempre jogava a culpa de seu estado,
naquela que ti largara. 

Num certo momento tudo começou a mudar, 
O espirito que antes o possuía,
não se fazia mais presente...
Contudo, o vicio carnal,
já tinha feito mais um dependente... 

O espirito antes com jeito de encosto,
agora ajudado por um espirito de luz,
resgatado, tratado e regenerado,
começou a entender seu papel da colônia espiritual,
 assumindo assim seu posto pela...
bebedeira perdera o gosto,

mas o jovem que antes tinha toda vida pela frente,
já não era mas tão jovem, e nem parecia mais gente,
fétido e esquecido, foi lembrado por um velho conhecido,
era de novo aquele espirito, 
e quando viu o antigo hospedeiro novamente,

jogado, carcomido pelo que tinha feito e o deixado,
sentiu um sentimento de culpa e remorso o consumir, 
mas rapidamente tomou consciência de si,
e lembrou porque estava ali,
pela última vês decidiu o possuir...
E assim o fez, 

Em posse de papel e uma caneta,

uma carta escreveu, explicando tudo que aconteceu...
Porque ele chegou no fundo do poço...
Porque mesmo forte, se perdeu...
 O bebum acordando do transe da possessão, 
encontrou em sua testa,
colada uma carta escrita à mão...
Ainda tonto, sua leitura não poderá terminar,
quando suas lagrimas molharam o papel,
Pois não parava de chorar,

Um espirito e um jovem por não entenderem sua mediunidade,
acabaram com sua mocidade,
Mas nunca é tarde para recomeçar,
Assim o jovem vivente e o espirito clemente,
tiveram uma linda missão pela frente. 


FAGNER AZEVEDO

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

VIVA A POESIA!
CACARECOS - PELOURINHO

terça-feira, 28 de junho de 2016

OLHOS DE NEON





Olhos de neon
Brilho fosco, opaco
Melancolia sem tom
Deste triste espetáculo.

Que atrai, retrai
Encanta, distrai
E logo acaba, passa
Como neblina fumaça

Cega por instante
Fuligem natural
Gozo dos amantes

E depois, bem mal
Fio da lembrança resvala
Experiência que se cala.

INVERNO




 
Aquece-me o frio da noite de inverno
Seus braços em mim entrelaçados
O calor de seu corpo no meu peito
Lareira um do outro abraçados

Tornamo-nos nós um só ser
No fervor de nossas almas contido
O sangue pelas veias a correr
E nossas auras a brilhar no infinito
 
Não há tempo que nos gele
Ou nos impeça quentura
Em nossos beijos, sexos, frescor

E no toque de nossa pele
O suor é mel e doçura
No gozo a nos derramar amor.

domingo, 1 de março de 2015

HOMENAGEM À CASTRO ALVES



NO DIA EM QUE SE COMEMORAM OS 168 ANOS DE NASCIMENTO DO POETA CASTRO ALVES, A TEIA DA ILHA, GRUPO CULTURAL DO MUNICÍPIO DE VERA CRUZ, ILHA DE ITAPARICA, REALIZA JUSTA HOMENAGEM AO "POETA DOS ESCRAVOS". O BLOG POESIAS DO FUNDO D'ALMA PARTICIPA DESTA COM MUITO ORGULHO DESTA INICIATIVA.

ONDE: LANCHONETE S.O.S LARICAS, NA RUA DO BATALHÃO DA PM EM MAR GRANDE.
QUANDO: 14 DE MARÇO, A PARTIR DAS 20 HORAS
ORGANIZAÇÃO: A TEIA DA ILHA
APOIO: BLOG POESIAS DO FUNDO D'ALMA (www.poesiasdofundodalma.blogspot.com.br)

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

AQUELE BEIJO



Eu pecando contra o amor
Esqueci de lhe dizer
O quanto eu gosto de você.
E guardando o sabor
De um beijo furtado
Na sua distração
Estando ao seu lado
Roubei seu coração

Eu aproveitei o instante
Em que falava da vida
E como fosse amante
Bebi na fonte querida.
Me enchi de seu prazer
E agora não sei por que
Eu tremo na lembrança
Como traquina criança.

Você olhou desconfiada,
Atarantada me sorriu...
Mexeu com o meu brio
E não me disse nada.
Não confirmou, nem negou
Não falou de sentimento
Só me pediu em favor
Que lhe desse esquecimento.

E já passou tanto tempo
Os seus olhos não vejo
Mesmo assim não esqueço
Do dia daquele beijo...
Com você no meu braço
Sua lágrima no rosto
Me fez sentir o gosto
Que trago destes lábios.




OUTRA PRIMAVERA






É... Alguma coisa mudou...
O cheiro do vento já não é o mesmo
Daquele tempo em que andávamos conversando
Coisas simples sobre o mundo
Confessando segredos em confiança
Nos amando com ternura como crianças
Apreciando a beleza do luar
Caminhando pelas ruas
Rumo certo a embriaguez.
Nos arriscando em cada esquina
Em cada beco escuro da luxuria
E a aventura era a companheira constante
De cada segundo errante
Das nossas almas a vagar

Já não são as mesmas ondas
Que em brancas brumas
Vinham à praia para banhar
Nossos corpos entrelaçados
Num daqueles beijos sob o mar...
Caíram-se as folhas da última primavera
E novos frutos apareceram
Muitas chuvas, então, caíram
Muitos desastres mataram gente
Muita guerra aconteceu.
Ouço o choro dos bebês
No ventre de suas mães
E a dor corrói meu coração.

Adoeço com tanta angústia
E percebo o que mudou.
Já não tenho mais você aqui
Não sinto teu cheiro dentro de mim
O mundo enlouqueceu por que você foi embora
As ondas revoltadas
Se voltaram contra a Ásia
Destruindo cidades, sonhos e lares
Os ventos em toda parte
Sopraram devastando regiões
E até no Brasil o chão tremeu...
O mundo todo se entristeceu
Com o fim do nosso amor


E é certo que toda mudança
Derrama dúvidas e incertezas...
Mas da mesma forma
Que guerras vêm e vão
Que é maré cheia e maré baixa
E uma hora as águas se acalmam
E a brisa é um bálsamo a nos aliviar...
Outra vez verei a lua brilhar
Encantando os caminhos da vida
Certamente com outro alguém do meu lado
Escrevendo nossa história
Em uma outra primavera