sábado, 24 de dezembro de 2011

A Dama dos Cães


De vida vazia
percorre a cidade
aquela que um dia
linda, na mocidade
encantava os moços
e enganava os outros
que viam o seu estandarte
e invejavam-na a beleza
com que a bondade
presenteou-lhe a Natureza
um brilho em sua face.

Hoje corre as ruas
suja e maltrapilha
as cãs maltratadas
embaraçadas, esbranquecidas
maquiagem de lama pelo rosto
seguida bem de perto e a seu gosto
por numerosa matilha
de viralatas, cães vagabundo
e encerra o seu amor
neste pequeno mundo.

Cada cachorro maluco
que a maluca dos cachorros acolhia
trazia uma história
de amores, dores do passado
no nome que batizava
todo novo filhotinho.
  
Um era o pai que a deixou
outro seu noivo canalha
e assim ela se cercou
com os fantasmas que a vida lhe dera.

Quem a olha e não a conhece
não sabe que aquele verme
é de rica família,
mestre formada
professora aposentada
que vive pelas ruas
na opção de sua loucura.

domingo, 23 de outubro de 2011

A VIDA









Venha a vida como uma lembrança
do lugar do qual viemos
para o lugar no qual queremos chegar...

Venha a vida trazendo de presente
o sorriso sincero da criança
durante todos os momentos de nossa andança
no meio dos irmãos..
dos amigos...
da família...
e das mães dos nossos filhos
que surgem como o fruto
de tudo aquilo o que vivemos.

Viva, viva e viva a vida!
Em toda a alegria de se mostrar
de ser do jeito que se queira ser
e viver do modo de se fazer
a pessoa mais importante do mundo
para que em nosssa partida
nossos amigos e irmãos
sintam a nossa falta
sorrindo...
chorando...
bebendo...
fumando...
vivendo
e amando...

Por que a vida é tudo!
Mesmo que tenhamos de combater
o orgulho, o ódio, a vaidade e a violência
que nos prende no círculo imundo
da desconfiança e desamor.

Para que a gente possa aproveitar
o Sol, a praia, as meninas e o mar,
os amigos prá sair e curtir
de dia, de noite, o tempo todo...
vivendo a vida sempre brincando
rindo prá falar sério
e mais sério, às vezes, chorando.

Vida, vida, louca e querida
mas vivida como se
um só momento pudesse conter
todo o viver...
as lembranças...
as feituras...
os amores...

Ame-se, então a vida
como a amante mais desejada...
aquela por quem a paixão é tresloucada
e o amor é um fogo
que queima o inferno
e nos liberta para sermos
o que queremos ser
e nos tornar
o exemplo de tudo
o que queremos fazer

 


O MENINO MORTO











Diante de mim algo se mostra...
Ou será alguém que se prostra
Como coisa caída no chão
Desta penumbra que é a noite
Donde os mistérios se apresentam?

Passo e não consigo saber
se cutuco com o pé, ou ajudo o ser
que se move na calçada.

De repente, um som...Baixo... abafado...
Como amordaçado em sua agonia
Numa desafinada canção
Donde se entoa a triste dor

A luz do poste revela
Uma poça gosmenta
Vermelha... preta... sangue
Meu Deus! É um moribundo que geme
Na rua onde os carros passam
Levando essa gente para casa
Ou para outra dose de cachaça...

O ser estirado é uma criança
Suja.. desnuda... abusada...
E na minha ânsia vontade de ajudar
Com a alma esquartejada vou lá

As lágrimas secaram no rosto do menino...
Na ferida se esvai o líquido da vida.
Foi um tiro! Mais uma vítima da chacina
Diária da grande cidade

Seu último suspiro
Num grande esforço
Para nada dizer
Aparece sem graça
Seu sorriso

O último riso
Do menino morto
Como farrapo roto na calçada.


sábado, 24 de setembro de 2011

O BEIJO


... E beijando tocarei a tua alma
esquecendo das coisas do mundo
perdido em cada parte de ti
abraçando tua língua com minha língua
na mais perfeita cumplicidade
que pode existir entre duas pessoas.

Com os olhos fechados,
os braços entrelaçados,
sentindo a tua respiração
como o ar que me sustenta,
esse fogo que me consome,
sagrado sobe às entranhas
tal qual o sol que ilumina
e guia as nossas vidas.

Assim sei que há o Amor...
Muito mais forte e poderoso
do que um mecânico ato fisiológico
que dura apenas um momento...
Um beijo dura a eternidade
superando tempo e espaço...

Putas e michês não beijam!
Conhecem os segredos enigmáticos
guardados no coração que sangra...
Triste do ser que não pode beijar:
prisioneiro de si, não sabe amar.
Eu, livre que sou, não me arrependo
de cada beijo dado, molhado e feliz
vivendo a vida que sempre quis.

ARRISCANDO


Quando sem explicação
as lágrimas caem
a voz entala
o coração pesa
as luzes apagam
os sonhos acabam
as dores aumentam
a saudade castiga
os olhos enganam
os amores encanam
a certeza é fugaz
a dúvida é premente
passado e presente
assim num só
a vida é um nó
que não engravata
e quem desata
não faz um favor
é dono do amor
que se habita
no peito em flor
da folha que risca
a resposta que dá
o beijo de língua
o desejo sacia
sem melancolia
se sente alegria
de tudo fazer
e corresponder
tal sentimento
é sempre um risco
gostoso perigo
melhor é correr
do que não saber
o sabor da maçã
quando chega a manhã.

domingo, 4 de setembro de 2011

CANTO DA PAIXÃO




Vou envolver-te em meus braços
Sussurrando para ti, bem baixo,
Palavras de amor e desejo...
As órbitas revirando os olhos
Repousarão em teu corpo
Belo e preparado pelos beijos.

E tu, com medo do novo, dirás
Carregando na voz a emoção:
- De tanto sentimento tenho medo...
Mas sendo tarde, entregue estarás
Cedendo a paixão, esquecendo receios
Transando todas as formas à exaustão.

Entrementes, entre - olhos ao ver-te,
O coração pesa-me o peito...
As mãos brincam em flerte...
A alma louca em tal jeito
Sai do corpo transcendente
Agarrando-te em abraços quentes

Toda a alegria em ti é esta festa:
Os seios, a boca, a flor e o sorriso
Na mais doce sinfonia da orquestra!
E o poeta admirado de tudo isso
Apequena-se a teu lado, pasmo
Saciando os desejos em orgasmo

Durmo sonhando com tal beleza
Embriagando-me num deleite de prazer
Que me brinda o néctar dos deuses.
E tu, agora zombateiro, vem e ri
Escarnecendo o mundo em mim
Súdito apaixonado a tua mercê.


Após o crepúsculo é aurora a chegar
A noite de tão longa foi um instante
A cama desfeita da arte dos amantes
Tira-me do sonho pondo a acordar
Com o perfume aromático da lembrança
Incandescente ao queimar da esperança.

E quando estas mãos novamente tocarem
Em tua face ardente e suave
Será como mil explosões nucleares
Com nossos lábios nos lábios a se beijarem
Na força de maremotos, terremotos e tufões
Celebrando mil e uma vezes todas as paixões.



sábado, 3 de setembro de 2011

SIM, NÓS LEMBRAMOS





Lembramos daquelas jovens que sonhavam por justiça e mudanças
E do campus de São Lázaro chamaram todos para a História.
Lembramos do coronel dentro da faculdade rasgando a Lei...
Dos juízes desrespeitados como na pele sofre o povo...
Dos vidros estilhaçados nas costas das crianças...
Do outdoor que dizia "Bahia, Bahia, Que Lugar É Este?"


Lembramos do gás de pimenta ferindo nossos olhos
Lembramos do amigo Grito espancado na Casa da Itália
Lembramos da delegada que comprou o ódio de um povo
Não esqueçemos do senador que sangrou seu estado.


Lembramos da Tropa de choque a cavalos em cima da gente
Da arma apontada para a menina de farda
Dos dedos perdidos na mão que encontrou a bomba
Lembramos do choro... Lembramos da dor... Lembramos da angústia...
Lembramos da vontade de lutar, de não se render, nem parar...
Lembramos dos ideais e da ideologia, dos discursos e da melancolia.


Sim, nós não esquecemos... que o criminoso comanda a polícia...
Que o povo ainda sofre... que os jovens ainda morrem...
Sim, nós sabemos, que as escolas não funcionam,
Que a educação é uma mentira estatística
Montada, orquestrada para a comunidade internacional
E que em nossa casa os jovens terminam os estudos
E mormente sabem rabiscar seus nomes numa folha de papel.


Sim nós não esquecemosi dos poetas do Solar D'Unhão
Que com arte clamavam e declamavam a constituição
Ainda recordo das perseguições, dos telefonemas anônimos
Que ameaçavam e tentavam intimidar aqueles guerreiros.


Sim, nós sabemos,  que não devemos esquecer...
Por isso que o melhor é cobrar. Cobrar o resultado de tanta luta.
Cobrar que valha a pena cada lágrima e angústia.
Pois se vencemos a tirania, então exigimos a mudança!


É por lembrar, por não conseguir esquecer, que não podemos aceitar
O dirigente da operação mais covarde que o Brasil já viu
Comandando toda a Polícia Militar do estado da Bahia.
É por lembrar que nós não podemos aceitar
Que o governador do povo não apresente sua memória
Seja calado e promova os algozes de antes e de agora.


É por lembrar do jovem cabeludo ajoelhado à frente da tropa
Tentando vencer o terror com a fé, que não podemos calar...
Tantos ainda riem... Riem hoje como riam ontem...


Mas é justamente por não esquecer, que não podemos nos dobrar
Nos acovardar e não seguir na luta, pois ainda não vencemos...
Apenas mudaram alguns nomes na luta do povo
Mas o sofrimento ainda é o mesmo.


E para que o templo do saber
Não seja violentado de novo, é que não podemos esquecer
Do outdoor sábio e oracular: "Bahia, Bahia, Que Lugar É Este?"

domingo, 28 de agosto de 2011

Cotidiano Urbano






A calçada manchada de sangue
é o reflexo maldito da loucura coletiva,
da individualidade distorcida
e a liberdade enganada.

Os risos gargalhados na noite,
as rajadas trovejadas de alegria
mostram nas caras de agonia,
de quem assiste perplexo
aparecer na Terra o inferno,
o temor dos dias a chegar...

Nos Estados Unidos a cobaia revoltada
destrói vidas por desejo
e a quem não gosta de seu ensejo
responde irônico, a insultar:
-Policial, eu sou Deus!

E neste momento, os desejos meus
são que a vida venha a renascer
nos gritos do pivete espancado,
no sangue derramado e negado
do povo pobre e humilde a sofrer.
E que surja da dor uma nação nobre
e um Brasil respeitado por ser
o chão firme de um povo forte.

Cantada



  
Vem comigo, meu amor
abraçados em nossa sedução,
mergulhados no desafiador
mar profundo de nosso querer
transcendendo os muros
proibidos e gostosos do prazer.

Acordar satisfeitos com o sol
enquanto os astros na rotina
adormecida da mesmice
se entregam calados à caretice
invejosa e mal fadada da cretina
ilusão de nas cortinas se esconder.

Vem comigo, doce anjo...
quero perder-me nos encaracolados
cabelos macios caídos em sua fronte.
Te quero... mesmo que só por uma noite
sentir em mim a sua volúpia
num cortante orgasmo perfeito
em que os nossos peitos
se cansam após uma noite de amor.

Nossos corpos um no outro
pesando em cima da cama
num terremoto silencioso
em que os nossos desejos
refletidos nos olhos ansiosos
se esvaem como lágrimas
que escorrem de forma mágica
da íris candente de nossas almas.

Oh, meu bem-amado...
sua beleza me alucina,
sua voz hipnotiza
seus olhos me seduzem...
vamos apagar as luzes
que incomodam e expõem
a nossa privacidade.

Vamos transar com liberdade
libertando as fantasias
escondidas na hipocrisia
que comanda a sociedade...
vamos gritar bem alto
com a força do trovão
escandalizando o falso
valor supremo da moral.

Quero gozar uma noite inteira
me deliciando em seu sexo
e o sexo livre não tem nexo
é só o gozo e o prazer...
quero me perder
por seu corpo, em todos os caminhos
lhe machucar fazendo carinhos
numa recíproca penetração.

Quero amar os seus lábios
e lhe cantar língua na língua
beijando com ferocidade ardente
pra que assim a gente
se transforme numa poesia
loucamente apaixonada.

E quando falarem da nossa vida
vamos dar uma gargalhada
pra essa gente que fica
prisioneira e enraivada
com todo nosso estilo.

Então, meu amor, é por isso
que eu te amo e quero mais...
viver eternamente num minuto
e em seus braços alcançar a paz.







domingo, 21 de agosto de 2011

CASO ENCERRADO


Te amei com o suor do meu rosto
e as lágrimas de meus olhos
cobriram minha face aflita
quando naquela noite maldita
um segundo após provar teu gosto
o arrependimento invadiu os corações nossos

Mal podia, incrédulo que sou, acreditar
que tudo aquilo que nós vivemos
ao satisfazer ansiosos os nossos desejos
deixaria em tua alma tal forte ensejo
para que ao invés de apaixonadamente amar
simplesmente de nós nos esquecêssemos.
 
Fantasmas rondam as minhas noites
gritando de alegria aos meus ouvidos
gargalhando histéricos da minha sina
pois o maior dos amores de minha vida
dilacerou o meu espírito
como nas pradarias, a foice
arranca zangada o mato com afinco.

E hoje, se nos encontramos não nos vemos...
se nos vemos... furtivamente nos negamos.
E daquela nossa grande vontade
que nos fazia escrever com felicidade
caminhos únicos para nós, num só plano
do que foi feito, nem sabemos.

A MORTE DO POETA



Calou-se o Poeta
em uma noite fria
sem estrelas, nem luar,
no fim de um dia
que a história há de apagar.

Calou-se o Poeta
diante da Rosa
sua amante verdadeira
que de tanta tristeza
perdeu sua beleza
morrendo a seus pés.

Calou-se o Poeta
e sua voz ressoante
persiste ao vento
e Lua e Estrelas e Rosas
todas suas amantes
ainda choram seu lamento.

Calou-se o Poeta
engolido na cidade cinzenta
que destruiu a alegria
matou o Amor
e tudo o que um dia
a ele já importou
tornou-se seu epitáfio
em um jazigo frio.

O Poeta morreu...
o assassino engravatado
de vergonha se escondeu.


A ILHA




Estava eu a navegar
em pleno alto – mar
quando de longe avistei
uma pontinha de terra
e aves a pousar.

Atraquei meu barco ali
e a noite não demorou a vir
a Lua e as estrelas
brilhavam em tons singelos
e tudo naquela ilha era belo.

No céu começou a formar nuvens:
- vai chover! – pensei –
mas logo a Lua voltou
com todo o seu esplendor.

E quando o sol retornou
com todo o seu calor
pus meu barco n’água
e voltei para casa.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

POEMA AO CREPÚSCULO


Vendo o Sol laranjar lá longe
Na Baia de Todos os Santos
Escutando todos os cantos
Surge bem ali a sua fronte.
Em me’o à conversa prazerosa
Com amigos e companheiros,
Os confrades de tanta prosa,
Você me tira o pensamento

O trânsito da cidade
Em seu lento caminhar
Próprio dos fins de tarde
E os navios e saveiros
Lanchas e cruzeiros
Pelo porto ao ritmo do mar
Levam-me em sua viagem
Pedindo licença e passagem.

Aonde agora estarão
Aqueles olhos, cabelos, bocas
Que tomaram meu coração?
Segue indo em distância pouca
Para ver os pais no interior
Pois é pessoa de tanto amor
Que cairia na cabeça um raio
De quem dissesse o contrário.

Apaixonado a flor da pele
Pela vida, noites e becos
Povoados lá do centro
Eu digo, meu amor, vai!
E não tenha medo se erre
O caminho donde sai
Pois não sofre o passarinho
Por falta de um e seu ninho



Pode bater asas e voar
Viver suas experiências
Mas não sofras por carência
Com lágrimas na face a rolar...
Pois a imagem quase cipreste
De você rumando ao agreste
É a lembrança que encontro
Na certeza de seu retorno.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Conhecendo a solidão





A solidão não é sozinha
Ela tem por companhia a tristeza
Vez por outra anda com a paz
A contemplar, chorosa, a beleza
Natural dos mananciais

Mas quando ela se esconde
Nas entranhas do coração de um homem
Vai buscar lá longe, antiga amante
E anda lado a lado coma saudade.

Podemos, então, verificar uma verdade:
A solidão caminha com multidões!
Ora é um furtivo e rápido amor
Outras vezes arrasta-se em incontida dor

Chago assim a conclusão banal
Que por símplice corrói o coração meu:
A voz do povo é saberia de Deus
E sociável, o solitário é o que anda nas multidões


quarta-feira, 6 de abril de 2011

Imagens Abstratas






Na faculdade,
nos muros do convento
eu olho pra parede e vejo
gravado no cimento mal rebocado
a imagem de um Cristo velho e irado.

As pessoas em derredor
conversam,
estudam,
fumam
e pensam
na sua ceguice
de compreender o mundo.

No céu negro
da noite fria
as imagens que se mostram
só eu consigo ver...

Em chamas decola a fênix
renascida, rumo ao infinito
dela surge o dragão
violento a cuspir fogo.
Logo mais outra aparição
e o rosto do homem
se transforma na face
branca e fria da morte.

O vento fala a língua da Natureza...
a chuva chora, gritando de dor ao atingir o chão...
a voz da brisa me revela o segredo universal
e me lesa em comunhão com o todo.
Num instante sou eu o Poeta louco
que vê imagens refletidas no céu e nas paredes.

Mas se o bem e o mal
andam em luta eterna
foram os dois que me disseram
para não tomar partido.
Sou destes um antigo amigo
pelos dois bem quisto
de uma irmandade remota...
Sigo então a minha sina
caminhando por entre
uma humanidade enlouquecida.






Fome de Quê?





Fome?
Quando ronca a barriga
e trovejam gritos de agonia
da fome não saciada
na criança de vida negada
a mãe, triste coitada
chora gotejos de sangue no coração.

Chega!
Basta da miséria instituída,
da hipocrisia escancarada
da esmola molengada
de se esconder o que falta
dando pão em migalhadas.

Pão... migalhas... fome...

Nós... nós temos fome de ciência
de trazer a erótica pro conhecimento
de pular os muros da escola
e construir a pesquisa pela mudança.

Para se amar mais que o possível
até se atingir a felicidade
e num momento de extrema sensibilidade
gritar bem alto a loucura
de querer com qualidade,
arte e cultura por toda parte.

E então toda família será digna
todo pai terá trabalho,
a fome deixará de ser o salário
e por fim reinará a segurança.

E de novo vamos sonhar com esperanças
na feitura dum país melhor
onde não haja mais exploração
e impere a igualdade, no dinheiro e na cor
e nesse dia chegou... querida revolução.


Pôr Do Sol No Fim De Tarde

A cidade se abre
em morros e vales
de uma floresta de concreto.

A vida vai passando
na velocidade que a brisa
vem empurrando as nuvens do céu.

As pessoas caminham
de um lado para outro
no corre-corre de seus deveres
e o fim do dia anuncia
a noite dos prazeres.

Cai a tarde
e o sol esconde-se
atrás do litoral.

A natureza, artista perfeita
pinta a aquarela multicor
no contraste crepuscular.

O véu celeste se descortina
mostrando ao mundo
a paisagem do paraíso.

E os olhos do Poeta,
alegres se umedecem
na contemplação da face divina.      

Maria Lua





Maria morena
Maria baixinha
Maria graciosa
Maria gordinha
Maria...
gostosa Maria.

Maria sol
Maria lua
Maria nua
Maria só.

Maria noite
Maria dia
Maria com a foice
Maria melodia.

Maria fera
Maria em chama
Maria bela
Maria na cama.

Maria, que Maria, ave!
Ave Maria!
Maria simples
simplesmente Maria.


A Um Amigo



Eu quero poder sentar-me
à sombra de uma árvore
e falar com amigos
sobre coisas agradáveis.

Queria que todo o sonho
se torna-se realidade
e que a vida voasse
nas asas do sonhador.

Mas meus desejos inoportunos
sempre levam-me à decepção
e após os infortúnios
só me restam cacos quebrados ao chão.

E quando chega a hora do arrependimento
a minha garganta entalada
aprisiona minha voz desgastada
e meus olhos refletem sentimentos.



segunda-feira, 4 de abril de 2011

Vaidade

Debaixo do sol
tudo é vaidade
e vento que passa
numa brisa suave
a caminho do mar...

Vaidade das vaidades!
-Tudo é vaidade!-
Que adianta ao homem do campo
matar-se ao sol,
esforçando-se em sua labuta
se no fim da vida, após a luta
tudo reduz-se a nada e o homem é pó?

Vaidade das vaidades!
-Tudo é vaidade!-
De que serve à mulher faceira
horas gastas ao espelho, assim
se pintando de falsa beleza
se com os anos a Natureza
guarda a gravidade como fim?

Vaidade das vaidades!
-Tudo é vaidade!-
O que presta ao artista
do palco as luzes artificiais
se depois tudo se desliga
e aplausos não ecoam mais?

Debaixo do sol
tudo é vaidade
e vento que passa
numa brisa suave
a caminho do mar...