quarta-feira, 30 de março de 2011

Baianidade

Salvador cheira a dendê
fritando acarajé
nas tardes da cidade
enquanto o sol se refresca
até que a lua se derrame
em reflexos de prata
sobre o Dique do Tororó
com as bênçãos de Oxum
e abrindo os braços de Iemanjá
que carinhosa acaricia
seus filhos, mestres saveiros,
nas águas de Todos os Santos
e a Bahia dos encantos
sente a força do Axé.

Eh! Bahia!
Jóia mais rara do deserto
terra de toda magia
encontro de contradições,
fluência enérgica da Natureza,
Cristo e Exu numa só religião.

Ah! Bahia!
Início de tudo,
lar de malucos,
berço de toda criação
imagem da imaginação.

Baianidade no sangue
regando a dor na cor
a cor no amor
o amor no ódio
e o ódio se deixa pra lá.

Eh! Bahia!
Tenda dos Milagres
do Amado Dorival.
Terra onde bate o mar
de Itaparica a Caetanear.
Tem o preto Gil balançando o povo
e João Ubaldo trazendo um livro novo.

Na Bahia tudo é mistério
escancarado às vistas
e só não entende quem não arrisca
abrir a cabeça
pro que não seja.



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