quarta-feira, 6 de abril de 2011

Imagens Abstratas






Na faculdade,
nos muros do convento
eu olho pra parede e vejo
gravado no cimento mal rebocado
a imagem de um Cristo velho e irado.

As pessoas em derredor
conversam,
estudam,
fumam
e pensam
na sua ceguice
de compreender o mundo.

No céu negro
da noite fria
as imagens que se mostram
só eu consigo ver...

Em chamas decola a fênix
renascida, rumo ao infinito
dela surge o dragão
violento a cuspir fogo.
Logo mais outra aparição
e o rosto do homem
se transforma na face
branca e fria da morte.

O vento fala a língua da Natureza...
a chuva chora, gritando de dor ao atingir o chão...
a voz da brisa me revela o segredo universal
e me lesa em comunhão com o todo.
Num instante sou eu o Poeta louco
que vê imagens refletidas no céu e nas paredes.

Mas se o bem e o mal
andam em luta eterna
foram os dois que me disseram
para não tomar partido.
Sou destes um antigo amigo
pelos dois bem quisto
de uma irmandade remota...
Sigo então a minha sina
caminhando por entre
uma humanidade enlouquecida.






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