domingo, 28 de agosto de 2011

Cotidiano Urbano






A calçada manchada de sangue
é o reflexo maldito da loucura coletiva,
da individualidade distorcida
e a liberdade enganada.

Os risos gargalhados na noite,
as rajadas trovejadas de alegria
mostram nas caras de agonia,
de quem assiste perplexo
aparecer na Terra o inferno,
o temor dos dias a chegar...

Nos Estados Unidos a cobaia revoltada
destrói vidas por desejo
e a quem não gosta de seu ensejo
responde irônico, a insultar:
-Policial, eu sou Deus!

E neste momento, os desejos meus
são que a vida venha a renascer
nos gritos do pivete espancado,
no sangue derramado e negado
do povo pobre e humilde a sofrer.
E que surja da dor uma nação nobre
e um Brasil respeitado por ser
o chão firme de um povo forte.

Cantada



  
Vem comigo, meu amor
abraçados em nossa sedução,
mergulhados no desafiador
mar profundo de nosso querer
transcendendo os muros
proibidos e gostosos do prazer.

Acordar satisfeitos com o sol
enquanto os astros na rotina
adormecida da mesmice
se entregam calados à caretice
invejosa e mal fadada da cretina
ilusão de nas cortinas se esconder.

Vem comigo, doce anjo...
quero perder-me nos encaracolados
cabelos macios caídos em sua fronte.
Te quero... mesmo que só por uma noite
sentir em mim a sua volúpia
num cortante orgasmo perfeito
em que os nossos peitos
se cansam após uma noite de amor.

Nossos corpos um no outro
pesando em cima da cama
num terremoto silencioso
em que os nossos desejos
refletidos nos olhos ansiosos
se esvaem como lágrimas
que escorrem de forma mágica
da íris candente de nossas almas.

Oh, meu bem-amado...
sua beleza me alucina,
sua voz hipnotiza
seus olhos me seduzem...
vamos apagar as luzes
que incomodam e expõem
a nossa privacidade.

Vamos transar com liberdade
libertando as fantasias
escondidas na hipocrisia
que comanda a sociedade...
vamos gritar bem alto
com a força do trovão
escandalizando o falso
valor supremo da moral.

Quero gozar uma noite inteira
me deliciando em seu sexo
e o sexo livre não tem nexo
é só o gozo e o prazer...
quero me perder
por seu corpo, em todos os caminhos
lhe machucar fazendo carinhos
numa recíproca penetração.

Quero amar os seus lábios
e lhe cantar língua na língua
beijando com ferocidade ardente
pra que assim a gente
se transforme numa poesia
loucamente apaixonada.

E quando falarem da nossa vida
vamos dar uma gargalhada
pra essa gente que fica
prisioneira e enraivada
com todo nosso estilo.

Então, meu amor, é por isso
que eu te amo e quero mais...
viver eternamente num minuto
e em seus braços alcançar a paz.







domingo, 21 de agosto de 2011

CASO ENCERRADO


Te amei com o suor do meu rosto
e as lágrimas de meus olhos
cobriram minha face aflita
quando naquela noite maldita
um segundo após provar teu gosto
o arrependimento invadiu os corações nossos

Mal podia, incrédulo que sou, acreditar
que tudo aquilo que nós vivemos
ao satisfazer ansiosos os nossos desejos
deixaria em tua alma tal forte ensejo
para que ao invés de apaixonadamente amar
simplesmente de nós nos esquecêssemos.
 
Fantasmas rondam as minhas noites
gritando de alegria aos meus ouvidos
gargalhando histéricos da minha sina
pois o maior dos amores de minha vida
dilacerou o meu espírito
como nas pradarias, a foice
arranca zangada o mato com afinco.

E hoje, se nos encontramos não nos vemos...
se nos vemos... furtivamente nos negamos.
E daquela nossa grande vontade
que nos fazia escrever com felicidade
caminhos únicos para nós, num só plano
do que foi feito, nem sabemos.

A MORTE DO POETA



Calou-se o Poeta
em uma noite fria
sem estrelas, nem luar,
no fim de um dia
que a história há de apagar.

Calou-se o Poeta
diante da Rosa
sua amante verdadeira
que de tanta tristeza
perdeu sua beleza
morrendo a seus pés.

Calou-se o Poeta
e sua voz ressoante
persiste ao vento
e Lua e Estrelas e Rosas
todas suas amantes
ainda choram seu lamento.

Calou-se o Poeta
engolido na cidade cinzenta
que destruiu a alegria
matou o Amor
e tudo o que um dia
a ele já importou
tornou-se seu epitáfio
em um jazigo frio.

O Poeta morreu...
o assassino engravatado
de vergonha se escondeu.


A ILHA




Estava eu a navegar
em pleno alto – mar
quando de longe avistei
uma pontinha de terra
e aves a pousar.

Atraquei meu barco ali
e a noite não demorou a vir
a Lua e as estrelas
brilhavam em tons singelos
e tudo naquela ilha era belo.

No céu começou a formar nuvens:
- vai chover! – pensei –
mas logo a Lua voltou
com todo o seu esplendor.

E quando o sol retornou
com todo o seu calor
pus meu barco n’água
e voltei para casa.