sábado, 3 de setembro de 2011

SIM, NÓS LEMBRAMOS





Lembramos daquelas jovens que sonhavam por justiça e mudanças
E do campus de São Lázaro chamaram todos para a História.
Lembramos do coronel dentro da faculdade rasgando a Lei...
Dos juízes desrespeitados como na pele sofre o povo...
Dos vidros estilhaçados nas costas das crianças...
Do outdoor que dizia "Bahia, Bahia, Que Lugar É Este?"


Lembramos do gás de pimenta ferindo nossos olhos
Lembramos do amigo Grito espancado na Casa da Itália
Lembramos da delegada que comprou o ódio de um povo
Não esqueçemos do senador que sangrou seu estado.


Lembramos da Tropa de choque a cavalos em cima da gente
Da arma apontada para a menina de farda
Dos dedos perdidos na mão que encontrou a bomba
Lembramos do choro... Lembramos da dor... Lembramos da angústia...
Lembramos da vontade de lutar, de não se render, nem parar...
Lembramos dos ideais e da ideologia, dos discursos e da melancolia.


Sim, nós não esquecemos... que o criminoso comanda a polícia...
Que o povo ainda sofre... que os jovens ainda morrem...
Sim, nós sabemos, que as escolas não funcionam,
Que a educação é uma mentira estatística
Montada, orquestrada para a comunidade internacional
E que em nossa casa os jovens terminam os estudos
E mormente sabem rabiscar seus nomes numa folha de papel.


Sim nós não esquecemosi dos poetas do Solar D'Unhão
Que com arte clamavam e declamavam a constituição
Ainda recordo das perseguições, dos telefonemas anônimos
Que ameaçavam e tentavam intimidar aqueles guerreiros.


Sim, nós sabemos,  que não devemos esquecer...
Por isso que o melhor é cobrar. Cobrar o resultado de tanta luta.
Cobrar que valha a pena cada lágrima e angústia.
Pois se vencemos a tirania, então exigimos a mudança!


É por lembrar, por não conseguir esquecer, que não podemos aceitar
O dirigente da operação mais covarde que o Brasil já viu
Comandando toda a Polícia Militar do estado da Bahia.
É por lembrar que nós não podemos aceitar
Que o governador do povo não apresente sua memória
Seja calado e promova os algozes de antes e de agora.


É por lembrar do jovem cabeludo ajoelhado à frente da tropa
Tentando vencer o terror com a fé, que não podemos calar...
Tantos ainda riem... Riem hoje como riam ontem...


Mas é justamente por não esquecer, que não podemos nos dobrar
Nos acovardar e não seguir na luta, pois ainda não vencemos...
Apenas mudaram alguns nomes na luta do povo
Mas o sofrimento ainda é o mesmo.


E para que o templo do saber
Não seja violentado de novo, é que não podemos esquecer
Do outdoor sábio e oracular: "Bahia, Bahia, Que Lugar É Este?"

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