domingo, 23 de outubro de 2011

A VIDA









Venha a vida como uma lembrança
do lugar do qual viemos
para o lugar no qual queremos chegar...

Venha a vida trazendo de presente
o sorriso sincero da criança
durante todos os momentos de nossa andança
no meio dos irmãos..
dos amigos...
da família...
e das mães dos nossos filhos
que surgem como o fruto
de tudo aquilo o que vivemos.

Viva, viva e viva a vida!
Em toda a alegria de se mostrar
de ser do jeito que se queira ser
e viver do modo de se fazer
a pessoa mais importante do mundo
para que em nosssa partida
nossos amigos e irmãos
sintam a nossa falta
sorrindo...
chorando...
bebendo...
fumando...
vivendo
e amando...

Por que a vida é tudo!
Mesmo que tenhamos de combater
o orgulho, o ódio, a vaidade e a violência
que nos prende no círculo imundo
da desconfiança e desamor.

Para que a gente possa aproveitar
o Sol, a praia, as meninas e o mar,
os amigos prá sair e curtir
de dia, de noite, o tempo todo...
vivendo a vida sempre brincando
rindo prá falar sério
e mais sério, às vezes, chorando.

Vida, vida, louca e querida
mas vivida como se
um só momento pudesse conter
todo o viver...
as lembranças...
as feituras...
os amores...

Ame-se, então a vida
como a amante mais desejada...
aquela por quem a paixão é tresloucada
e o amor é um fogo
que queima o inferno
e nos liberta para sermos
o que queremos ser
e nos tornar
o exemplo de tudo
o que queremos fazer

 


O MENINO MORTO











Diante de mim algo se mostra...
Ou será alguém que se prostra
Como coisa caída no chão
Desta penumbra que é a noite
Donde os mistérios se apresentam?

Passo e não consigo saber
se cutuco com o pé, ou ajudo o ser
que se move na calçada.

De repente, um som...Baixo... abafado...
Como amordaçado em sua agonia
Numa desafinada canção
Donde se entoa a triste dor

A luz do poste revela
Uma poça gosmenta
Vermelha... preta... sangue
Meu Deus! É um moribundo que geme
Na rua onde os carros passam
Levando essa gente para casa
Ou para outra dose de cachaça...

O ser estirado é uma criança
Suja.. desnuda... abusada...
E na minha ânsia vontade de ajudar
Com a alma esquartejada vou lá

As lágrimas secaram no rosto do menino...
Na ferida se esvai o líquido da vida.
Foi um tiro! Mais uma vítima da chacina
Diária da grande cidade

Seu último suspiro
Num grande esforço
Para nada dizer
Aparece sem graça
Seu sorriso

O último riso
Do menino morto
Como farrapo roto na calçada.